Aquela sobre o amor (de verdade)

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Era tarde fria de um Setembro ainda mais frio, eu era toda coragem, eu era toda certezas, eu era tão gélida quanto aquela tarde. Errei como qualquer outra pessoa em meu lugar poderia errar, mas não culpo a vida que me levou para um caminho que não era meu, não culpo as pessoas que me deram força de ir em frente com isso, não culpo o sol que talvez pudesse ter derretido parte do meu cérebro, a culpa foi tão somente minha que hoje não é coração deles que sente, é o meu. E desde então tudo aqui é carnaval, e não pense que é pela alegria da festa, pelos confetes e empolgação. É pelas máscaras, pelas fantasias que eu coloquei em cada verdade estampada na minha cara. Pelas justificativas que eu vesti em cada evidência do erro, pra que eu não enxergasse de fato o estrago feito, o tornado que eu fui. Mas assim como todas as festas carnavalescas, essa também teve seu fim. As máscaras caíram, cansaram das fantasias e eu enxerguei bem na minha frente a realidade mais dolorida da minha vida: eu havia não somente perdido o amor, mas havia matado-o de alguma forma. E é assim que me sentia, talvez ainda me sinta, como uma assassina de um amor tão bom, um amor tão feito pra mim.

Eu que sou assim tão fora de esquadro, tão fora de qualquer padrão aceitável, tão fora do que é possível compreender, vivo agora vagando secretamente atrás de alguém que me compreenda tão bem, alguém que reconheça de longe a minha imaturidade e ainda assim tenha paciência comigo. Alguém que saiba o quanto eu me alimento do jeito mais errado do mundo, que saiba do meu sentimentalismo exagerado, da minha mania de usar músicas pra traduzir momentos e sentimentos o tempo todo. Alguém que saiba o quanto eu sou desorganizada, o quanto não ligo de viver no meio de uma bagunça e se aconchegue ali mesmo, no meio da minha bagunça, no meio da confusão que eu sou. Alguém que conheça perfeitamente a minha alma poética e que compartilhe comigo esse gosto, pelas palavras, pelos sentimentos, pelo que só se alcança com o coração. Alguém que numa noite chata de domingo bata no portão, e me deixe apoiar a cabeça ali, entre seus braços. Alguém que me salve da solidão dos fins de semana, e que torne a semana um pouco menos árdua. E sinceramente, uma parte de mim ainda espera o dia que você, que costumava se encaixar tão bem em tudo que eu sempre quis, vai deixar de lado todos os erros cometidos pra viver de novo o que a gente tinha, e que eu não lutaria pra ter de volta se eu não sentisse que era tão certo pra mim. O dia em que o amor, o nosso amor, vai vencer, vai superar os julgamentos, os apontamentos de dedo e vai viver por nós, entre nós. E se essa parte de mim for só ilusão, então eu seguirei em frente, não inteira, mas com a certeza de que eu lutei até o fim, com coragem. Que eu não deixei que os meus erros me impedissem de ir atrás do que eu demorei tanto pra entender que ainda queria. E entendam agora, lendo um relato sincero do que se passa em mim, que errar é humano tanto quanto amar, mas somente por amor vale a pena voltar atrás. ❤

fimdepost

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