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Quem faz minhas roupas?

Se você nunca ouviu falar do movimento que dá nome ao título desse post, permita-me transcrever aqui uma breve explicação, vinda direto da fonte, sobre o Fashion Revolution Day (24/04):

“O Fashion Revolution Day é um movimento criado por um conselho global de líderes da indústria da moda sustentável, ativistas, imprensa e acadêmicos que se uniram depois do desabamento do edifício Rana Plaza em Bangladesh no dia 24 de abril de 2013 deixando mais de 1.133 mortos e 2.500 feridos. A campanha surgiu com os objetivos de: aumentar a conscientização sobre o verdadeiro custo da moda e seu impacto em todas as fases do processo de produção e consumo; mostrar ao mundo que a mudança é possível através da celebração dos envolvidos na criação de um futuro mais sustentável; criar conexões e trabalhar rumo à mudanças de longo prazo, exigindo transparência na indústria e nos negócios.”

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Ou seja, várias pessoas que são a favor da moda sustentável e do consumo consciente se uniram em prol de um mesmo objetivo: conscientizar as pessoas sobre todo o processo que uma simples peça de roupa passa antes de chegar nas lojas onde você as encontra pra comprar e usar por aí. E estamos justamente na semana que antecede o Fashion Revolution Day.

PAUSA PARA CONTAR UMA HISTÓRIA DA MINHA VIDA FASHIONISTA PRA VOCÊS

Rebeca Chaves, essa que vos escreve, sempre foi o ser humano de 1 metro e meio mais consumista do planeta. Ter roupas para mim era como ter a felicidade plena por alguns segundos. Fiquei muito tempo sem comprar nada de roupas por não ter meu próprio dinheirinho, mas quando eu comecei a trabalhar e suar por uns trocados, passei a comprar compulsivamente. Resultado: no fim de semana passado, enquanto guardava as roupas passadas dentro do armário, quase chorei de desespero. Não cabia mais nenhuma peça de roupa em lugar nenhum do guarda-roupa. E olha que ele é razoavelmente grande.

Foi nesse momento que uma luz se acendeu, we are the world tocou ao fundo e meu coração sentiu um aperto. Eu me dei conta de que tenho roupas demais pro meu tamanho. Me dei conta de que mesmo me desapegando de umas 50 peças de roupa no começo desse ano, ainda tenho roupas demais pro meu tamanho. E isso me fez triste. Por me ver adoecer dessa maneira. Por ver a moda me consumir ao invés do contrário. Parei, respirei fundo e tomei uma decisão difícil para mim (que sou a louca das comprar em fast fashion) mas muito consciente: a partir de hoje sou uma consumidora consciente.

E o que isso significa?

Coincidentemente – ou não – esse fato aconteceu justo nessa Fashion Revolution Week. E eu li muito a respeito, o que me ajudou a acertar ainda mais as mudanças que vão ocorrer na minha vida fashion daqui pra frente. Segue abaixo todas elas:

  1. Não comprarei mais em fast fashion. Apenas brechós, lojas independentes e bazares.
  2. A cada peça que entrar no meu guarda-roupa, uma deve sair.
  3. Customização será minha melhor amiga pra sair do tédio, e para me fazer esquecer a vontade louca de comprar.
  4. Tomarei os devidos cuidados com cada peça de roupa que ficar no meu armário, para que durem o maior tempo possível.
  5. E inspirarei todos os dias cada um de vocês a aderir ao consumo consciente, trazendo para o blog cada vez mais conteúdo sobre o assunto.

Detalhes: Como 60% do meu guarda roupa é composto por fast fashion (Renner, Marisa e C&A), vou continuar usando as peças que já tenho até agora. E quanto aos sapatos, ainda não tem muitas informações sobre os fabricantes de sapatos, o que torna mais difícil de saber quais marcas tem envolvimento com trabalho escravo ou não, mas me manterei informada ao máximo para evitar comprar sapatos dessas marcas.

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Vai ser uma batalha, com certeza, e quem me conhece sabe bem disso. Mas quando há uma motivação por trás de uma decisão, então é mais fácil caminhar em frente assumindo-a. Eu assumi o consumo consciente em nome de todas as milhares de pessoas ao redor do mundo que tem suas vidas, corpos e mentes destruídos em nome da ganância, da ambição e do consumo desenfreado. Em nome de todas as mulheres e crianças escravizadas, exploradas para que possamos ter nossas roupinhas da moda no armário. Quero sim ter meu estilo, e ter a moda a meu favor, mas decidi fazer isso de uma maneira menos egoísta e mais consciente.

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Durante toda a semana teremos posts incríveis sobre o assunto aqui no blog, e depois dessa semana também. Porque é preciso falar sobre a Slow Fashion sim. É preciso lutar por um mundo onde a moda seja uma força do bem, para quem produz e para quem veste.

E no Brasil todo estão tendo eventos bacanas sobre o assunto nessa Fashion Revolution Week. Pra conferir a programação e saber mais informações sobre o movimento, clique aqui.

Vem comigo nessa? ❤

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